quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O cavalo Marrom


Vou contar-lhes uma história que me fez ter esperança  , uma lição de amor e bondade que falta no nosso tempo marcado por  pessoas mesquinhas e soberbas. Onde o conforto próprio vale mais que a vida de outrem, onde nem a amizade é valorizada e os animais viraram  apenas enfeites. Mas se você parar para olhar o mundo ao seu redor talvez ascenda uma faísca de fé e então você poderá sorrir.
Era uma manhã chuvosa e fria e , como de costume na semana, acordo cedo para ir à escola. Sinceramente, acordei mal humorado e levantei-me da cama quente e macia passando as mãos nos olhos para poder ficar mais lúcido. Ainda bem que não me deitei de novo , pois perderia um dia maravilhoso que me esperava. Tomei meu café , me arrumei , peguei a chave e sai com um guarda-chuva preto que havia uma ponta quebrada. Andei à caminho do ponto para pegar um ônibus que demorava sempre , por isso fui em passos lentos. Ainda pensava na minha cama quentinha , eu lutava para manter meus olhos abertos para enxergar o caminho enquanto o vento frio com respingos d'água iam a minha face. Em uma das curvas ouvi passos lentos de galope que chamou-me atenção. Virei-me e eis a surpresa : Um senhor usando um capuz velho e cinza puxando uma carroça com velharias em cima enquanto ao lado estava um cavalo de pelos marrons, por sinal muito bonito. O cavalo o acompanhava e a chuva ia apertando enquanto subiam a ladeira. Fui descendo com os olhos fincados neles a ponto de eu perder o sono. Parei de repente e não me contive em ter que perguntar o porque de não colocar o cavalo para puxar a carroça. Fui até ele sem me preocupar com a hora e toquei levemente em suas costas , então ele para e se vira. Já era avançado em idade ,tinha uma barba chamativa e cabelos esbranquiçados, seus olhos eram miúdos e demonstravam cansaço. Perguntei-o:
- Por que não coloca o cavalo para puxar ?
O senhor olha em meus olhos enquanto a chuva apertava mais.
- Porque ele está cansado.
Então olhei surpreso para ele e depois o cavalo que estava com a cabeça baixa e sem as rédeas, haviam marcas em seu pelo que demonstravam a vida dura. Porém o homem compartilhava das mesmas marcas de trabalho duro também , foi então que vi ali uma parceria especial. Eu simplesmente sorri e estendi as mãos , o senhor apertou com firmeza e também sorriu sutilmente. Acariciei o cavalo e o beijei a face sem medo e me despedi. Ao descer a rua , ascendeu em mim uma esperança e alegria de ver que há pessoas que se preocupam com o bem estar do próximo seja animal ou não. Ali estava um exemplo em meio a um dia tempestuoso e frio que me fez agradecer ter acordado vivo e bem. Deus age nessas coisas para nos mostrar que os humildes amam mais. Ao pé da pequena ladeira lembrei-me de perguntar o nome do nobre senhor, mas já não o vi mais. Queria agradecê-lo por hoje eu puxar a carroça para todos os cavalos marrons que eu encontro no dia a dia.

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